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Uma noite no Beira-Rio

2 Julho, 2009

Vou ao estádio depois de um bom tempo e o que encontro?

O Inter pagando vale em campo. A torcida botando a culpa em todo mundo, menos no time. Os dirigentes atirando contra a arbitragem para desviar o foco de uma gestão ruim… Noite completamente retrô

Essa parte do revival dos anos 80 eu dispensava.

Tu? Inter?

18 Abril, 2009

Quando eu comecei a escrever um blog, no já jurássico ano de 2001, a maioria dos servidores que se apresentavam viáveis para isso eram portais que ofereciam uma janela de edição de texto com um número de caracteres limitado, se não me engano, a 500. Ou a mil, não faz diferença, o fato é que você estava lá, desenvolvendo um raciocínio, argumentando, ou mesmo cuidando um pouco que fosse do texto para que ele tivesse ritmo e pegada, humor ou melancolia, para que ele produzisse um efeito, e aí o servidor bloqueava. Você havia estourado o limite, aí era uma ginástica pra voltar e alterar palavras lá do início por sinônimos menores, cortar uma observação que ajudava no espírito mas não na transmissão da ideia e você terminava com uma pálida sombra do que havia começado ou enchia o saco e mandava tudo às favas,  sendo ainda mais prolixo para poder dividir seu argumento em dois posts (certa vez um foi dividido em três para acomodar uma discussão levantada por uma moça que na época até parecia gente sobre legitimação da vontade feminina).

Quando o blogger apareceu com sua irrestrita capacidade, ao menos para os blogueiros como eu foi a emancipação de que falavam os iluministas, e hoje temos uma porção de ferramentas que permite a postagem de extensões ilimitadas de texto.

Mas a gurizada aderiu a uma nova modinha, a de postar fotos em fotologs (FLOG é um termo que dói no ouvido), depois veio orkut, facebook, e a nova onda agora parece ser o twitter: uma ferramenta com um limite ridículo de 150 caracteres (mas que provavelmente é até demais para a relevância do que a maioria posta: “fui ao banheiro”, “voltando do trabalho”, “indo ao cinema”).

Tempos irônicos. Quando parece que todo mundo pode falar o que quer, a maioria ou não tem nada a dizer ou consegue fazer isso em 150 caracteres. (e esta frase caberia no twitter, mas ainda defendo que ela se empobrece sem a argumentação anterior)

E sim, estou ficando velho.

Ah, sim

18 Abril, 2009

Que falta de educação a minha: Feliz 2009.

Que coisa

18 Abril, 2009

já faz mais de ano que um post despretensioso continua provocando xingamentos de torcida organizada porque eu ousei falar mal do profeta da modernidade João Gilberto.

Isso que eu não pretendia criar celeuma, só fazer uma boutade.

Se eu me arrependo? Claro que não, se soubesse que ia irritar tanto viadinho cultor de bossa nova eu tinha escrito aquele post bem antes (comentários ofensivos podem ou não ser liberados. Mas façam-nos assim mesmo, eles são muito divertidos).

Remédio

4 Dezembro, 2008

Faz um mês eu escuto o papo mole de que essa Sul-Americana não vale porra nenhuma.

E no entanto, desde o primeiro do ano eu não via tanto foguete nos céus de Porto Alegre como vi após o gol do Estudiantes.

Que coisa… Acho que o nome do remédio pra isso é terapia.

Agosto e alguma coisa depois

8 Setembro, 2008

Agosto se foi.

As coisas muitas vezes se tornam confusas com agosto. Nunca se sabe o que uma mítica, uma escrita, uma simples superstição, pode tentar fazer para provar que deve ser levada a sério.

As coisas ficam estranhas em agosto. Agosto já esteve presente em ondas cada vez mais constantes como um marco qualquer, retornando em espirais cada vez mais carregadas de símbolos, signos sobre signos, marcos celebratórios vários que na verdade celebravam derrotas e túmulos e acidentes de pista e tropeços de pescurso.

Agosto ás vezes merece passar sem que o notemos, não vos parece?

Cinco coisas

22 Maio, 2008

que você deve ter em mente se for um personagem de novela do Manoel Carlos

1 – Mantenha sua mulher longe do Antônio Fagundes.

2 – Torça para ser coadjuvante. Se você for protagonista ou tiver um papel de alguma relevância, mesmo com um elenco repleto de gostosas, vai precisar, em algum momento, dar um trato na Regina Duarte.

3 – Saiba que você vai morar em um prédio diante de uma exuberante praia do Rio de Janeiro, mas que você nunca vai sequer pisar na areia porque está o tempo todo enfurnado em casa tomando café da manhã, mesmo que seja quatro da tarde ou oito da noite.

4 – Dado que a trilha sonora é sempre bossa nova, torça para que a minoria da vez no “marketing social” do autor da novela sejam os surdos.

5 – Contrariando os Titãs, que diziam que “miséria é miséria em qualquer canto”, ser do núcleo pobre de uma novela que se passa predominantemente na Zona Sul do Rio é melhor do que viver nas favelas do Agnaldo Silva – o que, por sua vez, é sempre melhor do que morar em qualquer favela da vida real.

A crítica e as vozes do vazio

7 Maio, 2008
Já fui um leitor melhor. Ou melhor, já fui um leitor mais curioso pelo entorno de um livro: seu autor, o contexto de sua produção, até mesmo uma vaga idéia da trama já me ajudada (nunca fui daqueles que gostam de ser “surpreendidos” pela obra e portqanto resolvem não ler nada sobre ela. Acho que obra que te surpreende é a que é boa, só). O fato é que eu já fui de me informar mais, ler resenhas para saber que livros estavam sendo traduzidos no Brasil, de quem, em que circunstância…
Dia desses me bateu que não tenho mais saco pra ler resenhas, nem mesmo críticas mais ou menos fundamentadas porque parece que hoje tudo o que se fala sobre livros em jornais e assemelheados é uma gigantesca tentativa de descrever com prolixidade uma impressão que um surfista poderia resumir em uma ou duas palavras: “Ducaralho” se gostou e “uma bosta”, se não gostou.
O resenhista, quando fala de um livro, está em parte compartilhando seu juízo sobre a obra com um leitor. Mas ao mesmo tempo me parece que ele quer ser admirado pelo que está dizendo, não apenas pelo conteúdo mas pela forma, então surge uma série de lugares-comuns e clichês de crítica que se espalham pelas páginas como o time do Inter ocupa espaços em campo. E confesso que isso irrita (os clichês, nunca o Inter), ainda mais porque na maioria das vezes a postura é arrogante, apontando clichês e coisas de mau gosto na obra, mas numa linguagem em que o vocabulário é restrito, composto de palavras complicadas que os críticos adoram repetir. Se formos contar numericamente, a variedade vocabular da maioria das resenhias em atividade é a mesma de uma revista de rock-pauleira, só que os críticos usam palavras mais complicadas.
Reparem:
Em uma crítica favorável, o livro sempre
* É tecido por múltiplas ou por uma variedade de vozes,
* é narrado com humor e tem uma trama imaginativa
* Tem um texto que flui / solto / leve / agradável
* é uma experiência de leitura inesquecível.
Há sempre um arrazoado pretensioso sobre a função da arte antes de se amarrar uma sentença que resume a obra e que poderia ser melhor entendida como uma equação matémática:
A OBRA É UM….
[retrato]-[espelho]-[panorama]-[flagrante]-
[fiel]-[cruel]-[vibrante]-[bem acabado]-[cáustico]
DA/DO
[solidão]-[abandono]-[desespero]-[isolamento]-
DO HOMEM NO/NA
[sociedade moderna]-[mundo pós-moderno]-[civilização tecnológica contemporânea]-[mundo primitivo arcaico].
Com a recombinação apropriada desses elementos e de outros que podem ser lembrados mais adiante, têm-se já um projeto de crítica.
Ah, claro, e há um monte daqueles que finalizam com o manjado truque retórico de pesar prós-e-contras no resumo final, normalmente feito em uma frase ou duas, e dizer que pelo menos o livro cumpre o que se propõe, está acima da média ou é competente. E alinhava com o supremo clichê de efeito: o que, convenhamos, não é pouco.
Talvez por isso hoje eu leia bem menos disso. O que me deixa tempo para fazer o que faríamos num mundo ideal: ignorar as críticas e ir direto à fonte. O demais, que se foda.

Vai precisar de recibo?

4 Maio, 2008

Vira em quatro, termina em oito

4 Maio, 2008

Permitam, meus cada vez mais ausentes leitores, um, como se diria, comentário off-topic:


Fernandão e Nilmar


Foto de Daniel Marenco / Zero Hora

SE FUDERAM, GRINGAIADA!


Era isso, obrigado.