Arquivo da categoria ‘Música’

Da série “Autobiografia em Palavras Alheias”

3 Dezembro, 2008

She walks along the edge of where the ocean meets the land
Just like she’s walking on a wire in the circus
She parks her car outside of my house
Takes her clothes off,
Says she’s close to understanding Jesus
She knows she’s more than just a little misunderstood
She has trouble acting normal when she’s nervous

Couting Crows deve ser uma das bandas mais chatas do universo. Eu sei disso, intelectualmente eu sei bem disso. Mas eu gosto, assim mesmo.

Reorganizando a estante de discos

7 Julho, 2008

Estranho ouvir Fake Plastic Trees de novo.

Há alguns anos era uma audição que vinha acompanhada de uma dor com o peso do mundo, e a voz dolente de Thom Yorke ao cantar if I could be who you wanted… all the time parecia cravar repetidas vezes um punhal de gelo no meu peito.

E hoje a melancolia estética da música ainda está lá. Mas não mais a dor, o punhal de gelo, o coração parecendo desmoronar aos poucos como um morro erodido pela chuva.

Passou. O que fazia a dor estar lá passou.

E é estranho sentir que mesmo a dor deixa saudade.

MPB – ou Modificando Provérbios Bíblicos

25 Junho, 2008

É mais fácil um Marcelo Camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um José Rico entrar no Reino dos Céus.

Dez músicas

22 Maio, 2008

Recentemente comentei com uma garota que deve ter uns, sei lá, 20 anos, que eu gostava de Dylan, e ela me devolveu um olhar de “de onde saiu essa múmia?” enquanto comentava que para ela Dylan era uma mala sem alça, sem voz, um tremendo chato, um insuportável e esses adjetivos hiperbólicos que só a juventude justificam.

Não discuti. Haverá tempo para ela ouvir Dylan ou ela nunca ouvirá, e aí não vai, bem ou mal, fazer diferença. Considerando que o estereótipo do fã de Bob Dylan é o jornalista Eduardo “Peninha” Bueno, muito do que a moça disse deve ter razão de ser, então até entendo sua opinião.

Pra mim, contudo, Dylan foi um dos elementos que colaboraram na minha formação estética. Seu som, de trovador fora de época, sua voz inusitada – não, não estou dizendo que ela é agradável. Pelo contrário, um dos seus mistérios reside justamente no apelo de uma voz metálica e desagradável daquelas e de como ela se ajusta sempre muito bem às canções que ele interpreta. Como fazia muito tempo que eu não exercitava o Nick Hornby em mim, elaborei uma lista de “10 mais”. Não está por ordem de preferência e sim de memória mesmo. Comentários e discordâncias, estejam à vontade.

It ain’t me babe
Triste, melancólica, uma balada de som dolente e agradável, com uma letra ao mesmo tempo muito bonita, muito seca e muito cruel. Não é uma declaração de amor, é uma declaração de não-amor, de covardia e fraqueza, com toda a carga patológica que isso representa.

A Hard Rain’s A-Gonna Fall
Uma letra assustadora, com imagens apocalípticas e ao mesmo tempo inusitadas, um olhar ensandecido sobre um mundo por acabar, embalado em uma melodia folk sem muitas inovações, mas que progride estrofe a estrofe até explodir no refrão como a tempestade que o narrador espera. Um delírio surrealista, como um quadro pintado por alguém com a imaginação de Dalí, concilando a atmosfera opressiva de Hyeronimous Bosch e a crueldade de Francis Bacon.

Positively 4th Street
Um desabafo contundente de alguém que se sente cercado por pessoas em quem acredita não poder mais confiar. Alguém que perdeu a capacidade sequer de reconhecer quem é verdadeiro ou falso. Ao mesmo tempo, a cantilena triste de um paranóico ressentido, numa melodia também folk, com direito a assobiozinho, mas leve o suficiente para iludir o ouvinte que não conhece a letra.

Just Like a Woman
Melodia de cortar o coração, cadência meio blues, meio canção pop, com uma letra que é uma das mais complexas e bem-sucedidas “descrições de personagens” já escritas. Feita para Eddie Seddwigg, uma maluquinha que Dylan conheceu na época e que foi uma lendária presença no cenário musical dos anos 60: pessoa linda e instável, que ganha nessa homenagem a eternidade como uma instável e fascinante garota, mesclando fragilidade e doçura com sentimentos capazes de levar um vilarejo por diante como o mais cruel vendaval. Mas imagino que, depois de terem visto o filme com a Sienna Miller, vocês já devem ter se dado conta disso.

Mr. Tambourine Man
O retrato dos perdidos na noite suja da história. Insônia, angústia, vazio, reprecutindo numa melodia melancólica e ao mesmo tempo monótona, com poucos pontos de aceleração ou mudanças de andamento, uma levada única nas longas estrofes, uma das que mais acentuam o caráter de lírica trovadoresca do bardo urbano.

Hurricane
Eu poderia dar uma de “indie” e retirar essa da minha lista depois que sua inclusão na trilha sonora do filme aquele com o Denzel Washington a popularizou outra vez, levando-a ao conhecimento de gente que não sabia que ela existia. Mas como cago e ando, continuo reverenciando a mágica obtida aqui nestas longas 11 estrofes que condensam uma trama de conspiração e corrupção com absoluta competência, usando até mesmo recursos cinematográficos como descrição do cenário, mudança de pontos de vista e alternância de vozes narrativas. Tudo para passar muito bem um recado de protesto. Claro que ele também abrevia muito alguns pontos não tão positivos na biografia do personagem Rubin “Hurricane” Carter, coisas que contestariam a versão de simples conspiração. Mas narrativa também é seleção, logo… Ah, sim, a música: não gosto de percussão excessiva, mas aqui Dylan utiliza elementos de percussão que lembram muito tambores tribais e isso acrescenta ao efeito uma sonoridade forte, mesclada à guitarra que passeia cínica pela história, como se também ela comentasse a narrativa.

Love Sick
O Blues ainda se faz presente nesta melodia monocórdica, sustentada por uma batida monótona ao piano que parece simular o bater ritmado do coração do apaixonado desiludido que peramblua pela cidade lembrando seu amor perdido. A batida uniforme sustentada por guitarra e teclados prepara estrofe a estrofe uma vigorosa ascensão da melodia até o ponto em que uma parede sonora se ergue no refrão, como se a música fosse tomada pela febre de amor da qual o personagem padece. Um dos grandes momentos recentes de Dylan, se não o melhor.

Most of the time
Eu falava do Alta Fidelidade no início deste post, e agora esta música está ligada à adaptação cinematográfica do livro. Ela é de um álbum de 1989 chamado Oh Mercyque eu ouvi uma vez só e não registrei como deveria por achar que havia coisas ali que sinceramente NÃO deveriam ter visto a luz do dia. Daí, foi quase como se não tivesse ouvido. O resultado é que quando essa música começa a tocar no filme, numa cena particularmente dramática, eu me pego a ouvir embevecido, parecendo que a letra – construída toda sobre um recurso retórico chamado preterição, pelo qual um sujeito diz que não vai dizer o que está dizendo, está falando sobre mim. Reconheci a voz de Dylan, fui atrás da música, um pop romântico sem o folk de sempre, com o uso até mesmo de alguns elementos aparentemente estranhos como bateria eletrônica, e ela derrubou Desolation Row na minha lista de melhores.

Like a Rolling Stone
Não sei se tenho algo de útil a dizer sobre esta música, um retrato de decadência comovente e ao mesmo tempo agressivo. Dizer o quê? que sua letra é perfeita, imagética, narrativa e aijdna por cima rimada? valeria para quase todas as músicas que eu elenquei aqui. Que seu som sintetiza os avanços que Dylan estava fazendo na época ao eletrificar seu som e comprar briga com todos aqueles que o adoravam havia bem pouco tempo? Já foi dito isso, e bem melhor do que eu poderia, por pessoas de real talento musical ou ao menos sensibilidade de ouvinte. Que é uma música tão boa que resiste a versões? E que ficou realmente do caralho na voz de Mick Jagger? E que ver Dylan em dueto com Jagger no palco quando os Stones estiveram no Brasil, cantando exatamente ESSA música, seria o suficiente para colocar essa canção em qualquer lista de melhores que eu fizesse? Vamos preterir. O que eu tinha pra dizer já foi dito. Não direi nada.

Visions of Johanna
Sempre na minha cabeça essa música trava um duelo por um lugar na lista com a também bela I’ll keep it with Mine, mas o fato é que I’ll Keep… muitas vezes me parece mais bonita na versão totalmente irreconhecível grava por Nico em seu The Fairest of the Seasons, o que eventualmente decide a questão a favor de Visions, canção doída, melancólica, lenta, balada que evolui no ritmo com que um rio lamacento arranca detritos do leito e os carrega com a correnteza. Um fantástico retrato de obsessão e assombro.

Ainda haveriam outras miles.
Mas uma lista de 10, infelizmente, nunca pode ser maior do que 10. Nesse sentido, a matemática, por ser o reino da ordem, é também um instrumento autoritário.

Menos Young Folks, mais Old Dirt Sluts

29 Abril, 2008

Por recomendação de um amigo, vou procurar no Youtube o que ele considera “a melhor música desde 1979, do Smashing Pumpkins“. Mesmo que eu nunca tenha achado 1979 isso tudo que ele acha, vou lá conferir a tal Young Folks, de um grupo ou trio, sei lá, chamado Peter, Bjorn and John. O que eu encontro é uma musiquinha meia-boca que começa com um assoviozinho boiola e um clipe em animação tosca com um bando de adolescentes viadinhos, os “young folks” da música, que se reúnem para uma festinha provavelmente regada a Quick de morango.

Sabendo de minha afeição pela obra de Leonard Cohen, uma amiga me envia um link para um vídeo no Youtube no qual Antony, dos pra mim ainda desconhecidos Antony and the Johns, canta If it be your willl num tributo ao mestre zen da canção. O que eu vejo é um cara que parece ter a minha idade e que canta como se estivesse chorando, jogando no lixo toda a dignidade doída que a música constrói na voz de seu autor.

Vocal choroso me lembra imediatamente de Damien Rice, que, com The Blower’s Daughter, trilha do filme Closer, dominou qualquer aparelho de emissão sonora há uns três anos (outro que termina sua canção praticamente aos prantos – e o que ele próprio parece não perceber, o que é criminoso, dado que o autor da letra é ele, é que os versos da canção, de alguma qualidade, teriam muito, mas muito mais impacto, uma tragicidade estóica, se ele cantasse aquela merda que nem homem).

O mesmo amigo do primeiro fragmento deste texto me diz para ouvir um troço chamado Guillemots. Curioso com uma música chamada justamente Trains to Brazil, vou lá e o que me aparece é uma versão alegrinha do que o Stereophonics fazia nos anos 1990.

Sério, gurizada. Chega de bons sentimentos

Tá na hora de entregar de novo a música para os sujeitos que quebram quartos de hotel e saem no braço com a polícia.

Da série “Autobiografia em palavras alheias”

15 Abril, 2008

Amor fugado
Me tomas, me dejas, me exprimes y me tiras a un lado
Te vas a otro cielo y regresas como los colibries
Me tienes como un perro a tus pies

Otra ves mi boca insensata
Vuelve a caer en tu piel
Vuelve a mi tu boca y provoca
Vuelvo a caer de tus pechos a tu par de pies

Labios compartidos
Labios divididos mi amor
Yo no puedo compartir tus labios
Y comparto el engaño
Y comparto mis dias y el dolor
Yo no puedo compartir tus labios
Oh amor oh amor compartido

Maná.

Sério, se eu não estivesse podre de bêbado não estaria citando músiccas em espanhol, para deixar claro meu grau de decadência.

Decohenlogo

7 Abril, 2008

\"The field Commander Cohen\"

Ou “10 razões pelas quais você deveria curtir Leonard Cohen tanto quanto eu”

Ele é escritor-compositor, e não o contrário
Gabriel, o Pensador, resolveu virar escritor infantil. Madonna idem. Chico Buarque, depois de fazer nome como um dos maiores compositores musicais em qualquer língua, decidiu virar finalmente “romancista” – eu gostei muito de Budapeste, mas os outros dois estão abaixo da crítica. Do mesmo modo, Nelson Motta se descobriu romancista. Bob Dylan lançou, depois de já ser Bob Dylan, Tarantula, uma experiência que só fez a cabeça de quem estava chapado pela contracultura. Depois, suas Crônicas, que são ok mais como testemunho. De toda essa fauna, o canadense Leonard Cohen é um dos que transitam na maré contrária. Já era um nome consolidado como poeta e havia granjeado uma boa reputação com o lírico romance Beautiful Losers (1966) quando finalmente lançou o mitológico Songs of Leonard Cohen (1967). Há que se respeitar quem passa das praias amplas do romance para a concisão melódica de uma canção de alta qualidade. Mais: Cohen trouxe para suas músicas um senso narrativo que as transforma em pequenas histórias musicadas, na melhor tradição da canção-conto em língua inglesa praticada por gênios do rock e do pop como Lou Reed, Bob Dylan ou o próprio Johnny Cash.

A voz
Sim, eu sei, esse era o Sinatra, mas aqui eu quero dizer a voz mesmo, a emissão sonora produzida pelo aparelho fonador de um indivíduo. A de Cohen é grave, densa e arrastada como um rio lamacento. Quado canta pode ser ao mesmo tempo sedutor e sofrido, o que é uma combinação rara, principamente no mundo “bate-palma-pra-mim-que-eu-sou-foda” da música pop.

Um sucesso na experimentação musical
Cohen não é um virtuose do instrumento, embora seja um grande cantor, mas suas canções transitaram ao longo destas mais de quatro décadas de carreira por ritmos e temas variados sempre com um grau de sucesso e qualidade que não se encontra em qualquer fenômeno atual. Ele fez músicas a partir de bases da tradição sacra (como Bird on a Wire ou a Hallelujah que mais tarde Jeff Buckley regravaria também com uma interpretação pessoal dilacerante), de canções patrióticas da II Guerra (The Partisan), das hediondas experimentações eletrônicas dos anos 1980 (The Future, Everybody Knows e First we Take Manhattan), de ritmos tradicionais modernizados por ele (Take This Waltz) e mesmo da canção clássica na linha Sinatra e Tony Benett (I’m your Man e Ain’t no cure for Love).

Famous Blue Raincoat
Uma sofrida e complexa história de traição, fraternidade e desamor em uma canção dolente que dura pouco mais de cinco minutos. Um homem dirige uma carta amarga e afetuosa ao mesmo tempo a um amigo que tempos antes teve um caso com a mulher do narrador-missivista. A complexidade desse tipo de relação triangular nos anos em que a música foi composta (fim dos anos 1960, incluída, não por acaso, em um disco chamado Songs of Love and Hate, de 1970) é retratada de forma elíptica e ao mesmo tempo muito clara. E enquanto a narrativa pode ser deduzida na primeira audição, há referências sutis que dão mostras de algumas das obsessões do próprio artista, como no verso em que ele diz que o amigo foi para a estação à procura de qualquer trem que passasse e que voltou de lá sem Lili Marlene alguma – referência tanto ao filme de Fassbinder quanto à canção que, na II Guerra, por sua popularidade, foi adotada por ambos os lados do conflito, numa alusão sutil à Jane mencionada na música, amante dos dois homens da história.

Chelsea Hotel #2
Canção paradigmática por três motivos: o primeiro é sua beleza, o segundo é que se trata de uma crônica apurada do feérico panorama artístico do cenário musical americano nos anos 1960, e o terceiro é que talvez seja uma das poucas canções já compostas por um astro da música narrando a noite em que traçou outro astro (este tipo de trocadilho funciona melhor em inglês, mas eu quis dizer “estrela”) da música – no caso Janis Joplin, que passou uma noite com Cohen no quarto nº2 do lendário Hotel Chelsea de Nova York (onde Dylan Thomas morreu bêbado, Hemingway teria escrito Por quem os Sinos Dobram e Sid Vicious foi acusado de matar a namorada Nancy Spungen). Talvez ele tenha sido um calhorda ao escrever isso – na verdade a música foi escrita depois de Janis ter morrido de overdose pouco tempo depois daquela noite, e perpassa pela letra uma melancolia que de alguma forma mostra que aquela noite marcou Cohen o bastante para que ele inventasse sobre ela um sentimento particular traduzido na canção. Não necessariamente o sentimento real, mas é o que poetas fazem, no fim das contas.

Suzanne
Primeira obra a chamar atenção para o talento de Cohen como compositor, e responsável, na gravação da cantora Judy Collins. É uma pequena jóia poética, narrando o encontro com uma mulher fascinante que, consta a crônica, existiu na vida real, era uma poetisa e artista plástica de Toronto. Consta que ele teria se apaixonado por ela enquanto passavam longas tardes tomando chá, conversando e passeando à beira do rio, elementos singelos de uma amizade e de uma comunhão espiritual retratados com delicadeza nos belos versos que também oferecem uma curta porém impactante visão pessoal de Cohen sobre o espiritualismo religioso em geral e o Cristianismo em particular.

Hey, That’s no way to say goobye
Questão muito particular, claro, mas esta música figuraria, para mim, sem favor algum, entre as 10 melhores coisas já escritas sobre separação (ao lado de For no One dos Beatles, Ain’t not me, Baby de Bob Dylan e outras que eu teria que cavar para chegar a 10). Convenhamos, qualquer música que tenha um verso como “Eu te amei pela manhã / seus beijos profundos e mornos / seu cabelo sobre o travesseiro / como uma sonolenta tempestade dourada” já conta muitos pontos.

Sua influência consistente
Cohen é uma referência inegável em Nick Cave, Nick Drake e no já citado Jeff Buckley. Sua classe e sua poesia cool firmaram bases até hoje seguidas pelos novos integrantes da já mencionada linhagem da canção poético-narrativa. Não chega a ser uma influência avassaladora como a de Dylan ou mesmo de Johnny Cash, mas também Cohen tem seu lugar assegurado no rol dos grandes compositores românticos-sem-ser-bregas (ok, às vezes).

Ele é um mestre budista
Mestre mesmo, ordenado depois de anos vivendo em um mosteiro. Pode parecer uma bobagem, mas numa época em que popstars se tornam célebres por terem overdoses, entrarem e saírem de clínicas de reabilitação como se estas fossem os pátios ajardinados de suas próprias mansões, ter um artista relevante que se retira de tudo, mesmo da música por alguns anos, é louvável. Mesmo que isso normalmente redunde em pouco benefício musical – a fase católica de Bob Dylan não é das mais inspiradas, com a exceção de Gotta Serve Somebody, e o Tim Maia Racional é algo que vale pelo gênio musical de Tim mais do que pels letras (desculpem, pessoas, mas letras para mim são importantes).

Ele foi casado com Rebecca de Mornay
Certo, esta é uma razão bem pouco “artística”, mas para aqueles que, como eu, tiveram na sua adolescência o vislumbre das formas generosas e sempre dadivosamente mostradas em filmes como Negócio Arriscado, a sofrível refilmagem E Deus Criou a Mulher e mais tarde o suspense falhado Nunca Fale com Estranhos só podem respeitar o cara que andou pastando em campos tão verdejantes.

Já que eu tava falando nisso…

26 Março, 2008

Fiz o post sobre isso esta semana mesmo, segunda-feira, e agora descubro que lá, na terra dos ôme, a piada também rola. Leiam o texto abaixo, de John Aizlewood, publicadona edição de hoje do jornal The Guardian:

Fácil. Houve um: Stuart Sutcliffe, o desesperançado baixista que reconheceu suas limitações e, em 1961, optou por ficar em Hamburgo com sua namorada em vez de retornar a Liverpool com os outros quatro.

Claro, não é tão simples. Neil Aspinall, o homem que fez mais para manter os Beatles vivos do que qualquer outro – especialmente os próprios Beatles – morreu na segunda-feira. Seu lugar na história permanece tão incerto quanto o foi em vida. Nas notícias matinais, a BBC o aclamou como o “guru” dos Beatles; e pela hora do chá ele já havia sido rebaixado para “amigo”. Na verdade, ele era um Boswell (1) sem pena: primeiro motorista da van, então assistente e por último síndico e administrador da Apple. Ninguém entendia muito bem o que ele fazia, então ele era freqüentemente chamado de quinto Beatle.

Infelizmente para Aspinall e para seu lugar na posteridade, ele não é o único “quinto Beatle”. Na verdade, há tantos desses camaradas que mesmo um sujeito que tenha feito a voz masculina no coro em algum momento pode pleitear seu lugar entre os aspones dos assim chamados Fab-Four. Qualquer um que já tenha alguma vez apertado a mão de um Beatle parece receber a denominação – do afetado Klaus Voorman, que desenhou a capa de Revolver , ao malfadado roadie Mal Evans.

O texto completo está aqui.
1 – referência ao escritor escocês James Boswell (1740 – 1795), amigo e biógrafo de Samuel Johnson, que passou para a língua inglesa como substantivo sinônimo de secretário ou acompanhante freqüente.

O milésimo “quinto Beatle”

25 Março, 2008

Neil Aspinall 

Beatle? Não está vendo que eu sou o Lex Luthor, meu filho? 

Leio a seguinte notícia nos portais rede afora:

Morre Neil Aspinall, ex-chefe da gravadora dos Beatles

E me chama a atenção para este trecho específico:

Aspinall, que morreu de câncer no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York, era considerado por muitos na indústria musical o verdadeiro “quinto Beatle”, apelido que também foi dado ao produtor do grupo, George Martin.

George Martin, Pete Best, Stuart Stucliffe, Neil Aspinall, talvez Brian Epstein.

Caraca. Já tem mais gente no posto de “quinto Beatle” do que Beatles, propriamente.

Da série (A)versões musicais

25 Fevereiro, 2008

Para ser cantado ao ritmo de João e Maria, de Chico Buarque (aquela do “Agora eu era herói…”)

Eu era office boy
E trabalhava para um banco inglês
Ganhava mal que dói
só ia almoçar depois das três

E você
a garçonete lá daquele ar
aonde eu ia à noite pra jantar
bauru com ovo feito em pão de xis…

Hefestus, em campanha por uma MPB que faça real jus ao “popular” da sigla.