Por recomendação de um amigo, vou procurar no Youtube o que ele considera “a melhor música desde 1979, do Smashing Pumpkins“. Mesmo que eu nunca tenha achado 1979 isso tudo que ele acha, vou lá conferir a tal Young Folks, de um grupo ou trio, sei lá, chamado Peter, Bjorn and John. O que eu encontro é uma musiquinha meia-boca que começa com um assoviozinho boiola e um clipe em animação tosca com um bando de adolescentes viadinhos, os “young folks” da música, que se reúnem para uma festinha provavelmente regada a Quick de morango.
Sabendo de minha afeição pela obra de Leonard Cohen, uma amiga me envia um link para um vídeo no Youtube no qual Antony, dos pra mim ainda desconhecidos Antony and the Johns, canta If it be your willl num tributo ao mestre zen da canção. O que eu vejo é um cara que parece ter a minha idade e que canta como se estivesse chorando, jogando no lixo toda a dignidade doída que a música constrói na voz de seu autor.
Vocal choroso me lembra imediatamente de Damien Rice, que, com The Blower’s Daughter, trilha do filme Closer, dominou qualquer aparelho de emissão sonora há uns três anos (outro que termina sua canção praticamente aos prantos – e o que ele próprio parece não perceber, o que é criminoso, dado que o autor da letra é ele, é que os versos da canção, de alguma qualidade, teriam muito, mas muito mais impacto, uma tragicidade estóica, se ele cantasse aquela merda que nem homem).
O mesmo amigo do primeiro fragmento deste texto me diz para ouvir um troço chamado Guillemots. Curioso com uma música chamada justamente Trains to Brazil, vou lá e o que me aparece é uma versão alegrinha do que o Stereophonics fazia nos anos 1990.
Sério, gurizada. Chega de bons sentimentos
Tá na hora de entregar de novo a música para os sujeitos que quebram quartos de hotel e saem no braço com a polícia.