Arquivo da categoria ‘Abaixo da crítica’

De um e-mail não enviado

29 Junho, 2009

Para alívio da poesia e da dignidade do autor…

Meu amor por ti é como uma luz incidindo oblíqua na poluíção da rua.  Não muda o essencial,  mas faz a gente pensar em como aquilo parece bonito mesmo com tanta fumaça e veneno.

Meu amor por ti é um feto sombrio, que me rasga a carne e permanece atado a mim pelo cordão dantesco de um afeto doente.

Meu amor por ti é estar no meio da corda estentida no abismo, grandioso vir-a-ser que não consegue ser nem vir. É o equilibrista acometido por ataque de pânico: eu não quer ir adiante, mas voltar é tão perigoso quanto.

Meu amor por ti me queima como ácido e é algo sem o que não mais me imagino – mas que ainda vai acabar me matando.

Meu amor por ti é três carteiras de cigarro por dia em tempos de polticamente correto.

Meu amor por ti é má poesia
Espontânea mas sem efeito.
E constrangedora
para terceiros

Uma canção de fim de ano

8 Dezembro, 2008

para os briosos vice-campeões brasileiros:

Adeus, Ano Velho
Feliz Ano Novo
O Grêmio entrou pelo cano
Não levou o Nacional
Foi líder 18 rodadas
E aí arregou no final.

Saudações coloradas e parabéns pela conquista.

Alan Kardesktop

26 Setembro, 2008

Espiritismo de Porco:

Se Alan Kardec tivesse um blog, todos os seus posts seriam post-mortem?

MPB – ou Modificando Provérbios Bíblicos

25 Junho, 2008

É mais fácil um Marcelo Camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um José Rico entrar no Reino dos Céus.

Panis et circensis

26 Maio, 2008

Já fui um jovem cheio de sonhos…

 

Hoje só sobrou farelo de bolacha e metade de um croissant.

Cinéfilos…

14 Maio, 2008

Marion Cotillard, como vocês vêem abaixo, é uma gracinha:

Teve o azar de participar de uma das grandes bombas com a assinatura de Ridley Scott, Um bom ano, uma propaganda de Vinícola Aurora com o Russel Crowe. Mas ela, ali, já mostrava o quanto era fascinante, belíssima, etérea, carnal, viva, como se vestisse um manto de labaredas.

Mas ela vai ganhar reconhecimento mesmo é depois que toneladas de maquiagem e horas de uma técnica de enfeamento a transformam no que vocês vêem aí embaixo: o esboço de um protótipo para Mortícia Adams com sérias restrições orçamentárias.

Povinho de cinema é mesmo muito estranho.

Menos Young Folks, mais Old Dirt Sluts

29 Abril, 2008

Por recomendação de um amigo, vou procurar no Youtube o que ele considera “a melhor música desde 1979, do Smashing Pumpkins“. Mesmo que eu nunca tenha achado 1979 isso tudo que ele acha, vou lá conferir a tal Young Folks, de um grupo ou trio, sei lá, chamado Peter, Bjorn and John. O que eu encontro é uma musiquinha meia-boca que começa com um assoviozinho boiola e um clipe em animação tosca com um bando de adolescentes viadinhos, os “young folks” da música, que se reúnem para uma festinha provavelmente regada a Quick de morango.

Sabendo de minha afeição pela obra de Leonard Cohen, uma amiga me envia um link para um vídeo no Youtube no qual Antony, dos pra mim ainda desconhecidos Antony and the Johns, canta If it be your willl num tributo ao mestre zen da canção. O que eu vejo é um cara que parece ter a minha idade e que canta como se estivesse chorando, jogando no lixo toda a dignidade doída que a música constrói na voz de seu autor.

Vocal choroso me lembra imediatamente de Damien Rice, que, com The Blower’s Daughter, trilha do filme Closer, dominou qualquer aparelho de emissão sonora há uns três anos (outro que termina sua canção praticamente aos prantos – e o que ele próprio parece não perceber, o que é criminoso, dado que o autor da letra é ele, é que os versos da canção, de alguma qualidade, teriam muito, mas muito mais impacto, uma tragicidade estóica, se ele cantasse aquela merda que nem homem).

O mesmo amigo do primeiro fragmento deste texto me diz para ouvir um troço chamado Guillemots. Curioso com uma música chamada justamente Trains to Brazil, vou lá e o que me aparece é uma versão alegrinha do que o Stereophonics fazia nos anos 1990.

Sério, gurizada. Chega de bons sentimentos

Tá na hora de entregar de novo a música para os sujeitos que quebram quartos de hotel e saem no braço com a polícia.

Alguém já pensou

22 Abril, 2008

Em ir a Assunção para conferir se o Padre Adelir foi votar no Bispo Lugo?

Idealismo fixo alemão

15 Abril, 2008

O que Wittgenstein disse para Bertrand Russell?
– Venha, Kant comigo!
E o que Russell respondeu?
– Ah, vai tomar no Hegel!

O milésimo “quinto Beatle”

25 Março, 2008

Neil Aspinall 

Beatle? Não está vendo que eu sou o Lex Luthor, meu filho? 

Leio a seguinte notícia nos portais rede afora:

Morre Neil Aspinall, ex-chefe da gravadora dos Beatles

E me chama a atenção para este trecho específico:

Aspinall, que morreu de câncer no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York, era considerado por muitos na indústria musical o verdadeiro “quinto Beatle”, apelido que também foi dado ao produtor do grupo, George Martin.

George Martin, Pete Best, Stuart Stucliffe, Neil Aspinall, talvez Brian Epstein.

Caraca. Já tem mais gente no posto de “quinto Beatle” do que Beatles, propriamente.