Para alívio da poesia e da dignidade do autor…
Meu amor por ti é como uma luz incidindo oblíqua na poluíção da rua. Não muda o essencial, mas faz a gente pensar em como aquilo parece bonito mesmo com tanta fumaça e veneno.
Meu amor por ti é um feto sombrio, que me rasga a carne e permanece atado a mim pelo cordão dantesco de um afeto doente.
Meu amor por ti é estar no meio da corda estentida no abismo, grandioso vir-a-ser que não consegue ser nem vir. É o equilibrista acometido por ataque de pânico: eu não quer ir adiante, mas voltar é tão perigoso quanto.
Meu amor por ti me queima como ácido e é algo sem o que não mais me imagino – mas que ainda vai acabar me matando.
Meu amor por ti é três carteiras de cigarro por dia em tempos de polticamente correto.
Meu amor por ti é má poesia
Espontânea mas sem efeito.
E constrangedora
para terceiros