Quando eu comecei a escrever um blog, no já jurássico ano de 2001, a maioria dos servidores que se apresentavam viáveis para isso eram portais que ofereciam uma janela de edição de texto com um número de caracteres limitado, se não me engano, a 500. Ou a mil, não faz diferença, o fato é que você estava lá, desenvolvendo um raciocínio, argumentando, ou mesmo cuidando um pouco que fosse do texto para que ele tivesse ritmo e pegada, humor ou melancolia, para que ele produzisse um efeito, e aí o servidor bloqueava. Você havia estourado o limite, aí era uma ginástica pra voltar e alterar palavras lá do início por sinônimos menores, cortar uma observação que ajudava no espírito mas não na transmissão da ideia e você terminava com uma pálida sombra do que havia começado ou enchia o saco e mandava tudo às favas, sendo ainda mais prolixo para poder dividir seu argumento em dois posts (certa vez um foi dividido em três para acomodar uma discussão levantada por uma moça que na época até parecia gente sobre legitimação da vontade feminina).
Quando o blogger apareceu com sua irrestrita capacidade, ao menos para os blogueiros como eu foi a emancipação de que falavam os iluministas, e hoje temos uma porção de ferramentas que permite a postagem de extensões ilimitadas de texto.
Mas a gurizada aderiu a uma nova modinha, a de postar fotos em fotologs (FLOG é um termo que dói no ouvido), depois veio orkut, facebook, e a nova onda agora parece ser o twitter: uma ferramenta com um limite ridículo de 150 caracteres (mas que provavelmente é até demais para a relevância do que a maioria posta: “fui ao banheiro”, “voltando do trabalho”, “indo ao cinema”).
Tempos irônicos. Quando parece que todo mundo pode falar o que quer, a maioria ou não tem nada a dizer ou consegue fazer isso em 150 caracteres. (e esta frase caberia no twitter, mas ainda defendo que ela se empobrece sem a argumentação anterior)
E sim, estou ficando velho.