Espiritismo de Porco:
Se Alan Kardec tivesse um blog, todos os seus posts seriam post-mortem?
Espiritismo de Porco:
Se Alan Kardec tivesse um blog, todos os seus posts seriam post-mortem?

No inverno a casa devora silêncios
Regala-se tanto com seu próprio ser
pesado, sem contato com o mundo
e tanto banqueteia-se em sua existência
autosuficiente
e inerte
que incha,
obesa de espaços vazios
A casa engorda nas ausências.
Houve verões, e a casa
já os desfrutou de janelas abertas
e portas escancaradas
e o piso suado de marcas de pés
e carimbos da carne livre
rolando sobre as tábuas
No verão a casa mostrava-se
como sílfide em miniblusa
E tudo era um mover-se batendo
Em algo colocado no lugar errado
E até para o ritual diário da
nulidade cotidiana
havia que se pedir licença.
“posso passar?”
“vai demorar muito?”
“um instante para abrir a porta”.
No inverno sem ela,
a casa se tranca em si mesma
E suas entranhas incham
do próprio vazio
E estar na imensidão despovoada da casa
obesa
encerrada e sem atrativos
como enrolada em fuseau vagabundo
É sentir-se um inútil parasita
que engole o mesmo silêncio
e permanece imóvel
no espaço que se vai
dilatando,
metódico como pesadelos.
Agosto se foi.
As coisas muitas vezes se tornam confusas com agosto. Nunca se sabe o que uma mítica, uma escrita, uma simples superstição, pode tentar fazer para provar que deve ser levada a sério.
As coisas ficam estranhas em agosto. Agosto já esteve presente em ondas cada vez mais constantes como um marco qualquer, retornando em espirais cada vez mais carregadas de símbolos, signos sobre signos, marcos celebratórios vários que na verdade celebravam derrotas e túmulos e acidentes de pista e tropeços de pescurso.
Agosto ás vezes merece passar sem que o notemos, não vos parece?