Posts de Julho, 2007

Morreu

30 Julho, 2007

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Pô, morreu o famoso diretor daquele filme, O Albergman, e de sua versão para o mercado latino, Albergman Espanhol. Logo agora que O Albergman 2 tava pra sair, que azar.

Esse governo…

20 Julho, 2007

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‘Reação privada’

O “Jornal da Globo” conversou com Marco Aurélio Garcia na noite de quinta-feira. Ele disse que não teria essa reação em público. E negou que estivesse comemorando o conteúdo da reportagem. Em nota, nesta sexta-feira, ele pediu desculpas aos que sentiram atingidos por sua atitude.

“Essas imagens que foram tomadas à revelia, de forma clandestina, refletem concretamente a minha indignação frente a uma determinada versão que se quis passar para a opinião pública, [versão] que creditava ao governo a responsabilidade de um acontecimento dramático”, afirmou.

Por via das dúvidas, o governo já anunciou uma resposta ao incidente.

Vai colocar insulfilm nas janelas.

Lírica e Hermética…

13 Julho, 2007

Não me tira pra idiota, por favor, nem para um desses portadores da pieguice mais constrangedora, esses despudorados que choram quando a música alta sobe na cena mais comovente no fim do filme. Só me escuta. E imagina.

Imagina que algo daquela balela místico-científica que formou minhas leituras de adolescência seja verdade, e que existam realmente Infinitas Terras, mundos quânticos, multiversos e realidades paralelas. Milhões de realidades separadas por segundos de tempo, por freqüências vibratórias diferentes, como ondas de rádio.

Em cada um deles, somos pessoas diferentes.

Em muitos deles eu poderia ter sido um bebê natimorto, poderia ter morrido jovem, num acidente de carro no qual me envolvi aos 15 (eu era passageiro). Poderia ter morrido aos 10 anos, quando, voltando para casa de ônibus, gostava de olhar o mu ndo com a cabeça para o lado de fora e um dia, quando o ônibus parou em um ponto já perto de minha casa, virei o rosto para deparar com um caminhão carregado de pedras a centímetros de mim, pronto para me ceifar feito camarão assim que o coletivo arrancasse. Poderia ter ficado o resto da vida na cidade em que nasci, poderia nunca ter nascido lá, poderia não ter pai, ter virado marginal, ter sido um milionário, um corrupto sem caráter, um político, um revolucionário, um zé ninguém trabalhando em outro lugar com o mesmo tédio daqui.

Em muitos desses mundos eu poderia ainda estar casado. Em muitos eu posso nunca ter conhecido aquela que foi minha mulher, poderia ter me juntado com outra e não aquela.

E em muitos eu poderia nem ter te conhecido.

Mas por essa lógica, em algum deles, em ao menos UM deles…
Eu te conheci nas condições certas, no tempo correto, na hora precisa e com todas as possibilidades à nossa frente.

É desse outro eu, e só desse, que eu tenho inveja.

Ídolos caídos

13 Julho, 2007

Rubem Fonseca já foi o que de melhor a literatura havia reservado para minhas descobertas como leitor. Poucos autores até hoje igualaram em mim o impacto de obras como A Coleira do Cão, Agosto, Lúcia McCartney, Os Prisioneiros. Passei anos obcecado por sua obra, sua elegância brutal, sua crueldade refinada. Rubem Fonseca foi meu autor de predileção por mais tempo do que eu me lembro de já ter tido um “autor de predileção”, e mesmo hoje, muitas de suas menores e mais fracas obras recentes me atingem com um pouco do velho ímpeto (foi o caso de Pequenas Criaturas), mas não, definitivamente não, de Diário de um Fescenino, de A Bíblia e a Bengala, de Ela e Outras Mulheres.

O fato é que Fonseca não foi  mais dizendo para mim o que antes dizia, e isso em parte deve ser creditado a mim, não ele, eu que posso ter me direcionado a um ponto no qual a minha sensibilidade não mais alcança o que ele produz. E não deixo de me sentir triste um pouco por isso. Encontrar um autor com quem teu gosto e tua mente podem dialogar produtivamente não é fácil. Mas a gente encontra outros ao longo do tempo.

Esses dias foi que descobri que Rubem Fonseca escreve regularmente na sua página do Portal Literal (ok, eu sei que eu sou um idiota de ter descoberto isso faz tão pouco, mas não sou muito ligado no mundo online). E finalmente li o texto escrito por Fonseca relatando sua viagem a Israel, da qual havia tido notícia no blog do Daniel Galera mas que depois não havia mais acompanhado.

E o que me bateu do texto, no demais escrito com toda a maestria que Fonseca sempre esbanjou, é uma  tristeza e uma certa indignidade ao ver aquele sujeito cujo trabalho significou tanto pra mim ser um a espécie de turista deslumbrado num esforço de propaganda de Israel – esforço que tem sido necessário para justificar os abusos cometidos em seu conflito contra os palestinos.

E por algum motivo que eu não sei nem identificar qual, me doeu mais do que tudo ter lido este trecho de resto singelo, belo e inofensivo:

Em Israel foram plantadas 250 milhões de árvores. Fico feliz em saber que a minha vai crescer e tornar-se mais uma.

Talvez se tivesse lido isso há 10 anos eu teria achado nas palavras a beleza que seu autor quis imprimir a elas. Mas há alguns anos eu li Palestina, do Joe Sacco. E sei o bastante hoje para saber que muitas dessas árvores plantadas por Israel simplesmente substituíram olivais inteiros de famílias palestinas, cortados como punição por suposto colaboracionismo com a resistência terrorista ou por motivos de segurança (para que ninguém se esconda atrás delas jogando pedras) . O sustento de uma família inteira num país em que os árabes palestinos não têm permissão de trabalho facilitada nem trânsito tranqüilo.